Com a coligação PT, PCdoB, PROS, PCO o campo democrático e popular sai fortalecido para as eleições presidenciais, e o PT, maior partido de esquerda do Brasil, sinaliza para as suas bases o compromisso com a unidade das esquerdas e a saída para derrotar o golpe.

O PCdoB, que lutou tanto pela costura política que possibilitasse a unidade nacional das forças progressistas, irá compor junto com Lula a chapa presidencial. Manuela D’ávila a princípio será uma importante voz na defesa da candidatura de Lula. O PT definiu Haddad como vice de Lula no primeiro momento. Com o ex-presidente preso político, o partido precisa de uma voz que fale por Lula e leve o seu programa de governo para os debates.

Manuela no entanto entrará para a vice em qualquer circunstância, ou de Lula caso sua candidatura seja deferida pelo TSE, ou de Haddad, no caso da candidatura de Lula seja impugnada. O peso dos comunistas na chapa é fundamental. Manuela vinha desempenhando grande pré-campanha, defensora inigualável dos interesses nacionais, do direito das mulheres e das minorias, cativa a juventude com a sua representatividade e a sua luta política.

A união parece ser na medida certa, o protagonismo político e eleitoral do maior presidente da história do Brasil, junto com a intelectualidade e a firmeza técnica de um dos maiores quadros da Gestão Pública, e a garra e a luta política de uma jovem mulher que faz ouvir a sua voz. Como ja estão dizendo por ai, Lula-Haddad-Manuela é o verdadeiro Triplex, aquele que vai fazer o Brasil voltar a ser feliz de novo.

Mas nem tudo é perfeito. Infelizmente as forças progressistas não estarão de todas unidas, e a disputa pela hegemonia do campo progressista ficará entre PDT e PT, ao menos no primeiro turno. Ciro Gomes não conseguiu sair do isolamento e a disputa pela hegemonia fez com que PDT e PT não chegassem a um entendimento já no primeiro turno. As eleições presidenciais giram em torno de partidos fortes, e PT e PDT não conseguiram fazer essa leitura, um quis tirar o protagonismo do outro, um grave erro.

Se estivéssemos em situação de normalidade institucional, seria razoável pensarmos em uma possível passagem do bastão de Lula para uma outra liderança, ou uma composição onde o PT abriria mão da cabeça da chapa para compor com outros partidos. Porém estamos sob um golpe de Estado que tentou dizimar o PT do cenário político, que persegue os seus quadros, que teve a audácia de prender Lula, o maior Presidente que esse país ja teve, sem provas.

Como pedir que o PT se omita da sua responsabilidade histórica de enfrentar e derrotar o golpe com o seu protagonismo? Como pedir autocrítica para um partido que muito fez pelos trabalhadores e trabalhadoras desse país, e agora está vendo seu legado ser dilacerado pelos golpistas? Como não defender Lula de sua prisão política?

Não se trata de disputa de egos e de projetos pessoais ou partidários de poder, se trata da história política sendo contada a cada minuto, e derrotar o projeto neoliberal e neocolonial de Temer/PSDB deve estar acima de qualquer hegemonia no campo progressista. Nesse cenário a responsabilidade e protagonismo do PT se destacam.

Não faltará oportunidade para que o PDT possa compor a frente de esquerda que está se formando em torno do projeto do PT. Apesar de caminharem sozinhos no primeiro turno, em uma possível polarização no segundo turno entre PTx PSDB, Ciro Gomes será fundamental para a vitória do campo democrático e popular e enterrarmos de vez o projeto conservador.

Essas eleições certamente não serão amigáveis, o canhão midiático-jurídico do pacto das elites, não perdoará as movimentações progressistas, podemos esperar campanhas cada vez mais pesadas de difamação e alguma ofensiva jurídica policialesca para cima dos partidos de esquerda novamente.

Nada que já não estamos acostumados a ver nos últimos 3 anos, a força eleitoral da chapa de Lula-Haddad-Manuela desperta verdadeiro pavor nos setores conservadores. O potencial de transferência de votos de Lula sendo impugnado é muito grande, e a aliança mais importante de todas não conseguirá ser desfeita, que é com o povo brasileiro cansado de sofrer com o governo golpista dos ricos.

Lula-Haddad-Manuela, existe esperança contra o avanço do fascismo e da síndrome vira-latas neocolonial, existe um projeto de país e de nação, vamos caminhar juntos em defesa de um projeto nacional desenvolvimentista com inclusão social, que reposicione o Brasil como um Estado soberano diante do mundo.

Dessa experiência histórica que estamos vivenciando, fica mais um ensinamento de Guimarães Rosa: “Fazer política não é assim tão fácil…Mas, alguma coisa fica, no fundo do tacho…” (in “A Volta do Marido Pródigo”).

*Com colaboração de Bernardo Gomes - estudante de Gestão Pública, FAFICH/UFMG

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