O primeiro debate entre presidenciáveis da Rede Bandeirantes de televisão não passou de uma farsa. Com Lula impedido de participar, o programa deixou de cumprir o seu papel democrático e esconde do eleitor a voz daquele que representa mais de 40% das intenções de votos.

A estratégia da grande mídia é alavancar a todo custo a candidatura que os representa, Geraldo Alckmin (PSDB). Excluindo Lula do debate o tucano não teve um antagonista a altura que pudesse se opor as suas ideias, que representam a continuidade da agenda do governo Temer/PSDB, que penaliza os trabalhadores e trabalhadoras há 2 anos, e levou o Brasil de volta a miséria e fome.

O debate apresentou um baixo nível de discussão. 80% dos que lá estavam mostraram um total despreparo, quando não, alucinações totalmente fora da realidade. Cabo Daciolo(URSAL, ops!, Patriota) rivalizou o papel de lunático com o neo-fascista Bolsonaro(PSL). Ciro Gomes(PDT) fez o contraponto progressista quando teve oportunidades, e Guilherme Boulos(PSOL) agitou com a sua militância nas críticas ao governo golpista e no reconhecimento de que Lula deveria estar presente.

Marina(Rede) como sempre indecifrável, não consegue se posicionar com clareza e deixa escapar a oportunidade de demonstrar de que lado está mesmo. Álvaro Dias(Podemos) faz bem o papel de candidato fantoche da lava-jato, sempre que pode elogia o juiz Sergio Moro, aquele que se diz imparcial mas sempre utiliza de dois pesos e duas medidas – um leopardo com petistas, mas um bichano com tucanos.

O enredo do golpe vetou a participação de Lula nos debates, mesmo resguardado pela lei eleitoral que garante ao candidato “sub judice” os seus direitos políticos enquanto aguarda decisão do TSE, e permite a participação nos eventos da eleição que envolvem propaganda eleitoral gratuita, campanha e debates. Rasga-se a Constituição pelo medo de debater com o candidato líder nas pesquisas. Tentam de todo jeito esconder o Lula do povo.

Lula encaminhou carta a Band alegando que sua candidatura sofre uma censura. O PT e a coligação #LulaLivre divulgaram amplamente a composição da chapa com Haddad de vice. O ex-prefeito de São Paulo junto com Manuela D’ávila serão a voz de Lula e levarão as suas ideias e o seu plano de governo para os debates. Ignorar essa informação e não dar voz ao vice de Lula no debate é censura explícita, visando unicamente interferir no jogo político-eleitoral e anular a principal força política do campo democrático e popular.

Mesmo com o cerco, a coligação #LulaLivre organizou um debate paralelo ao que estava acontecendo na Band, e colocou Haddad&Manuela para comentarem e debaterem ao vivo junto com o debate da emissora, com transmissão nas redes sociais. O #DebateComLula furou o bloqueio e colocou o nome de Lula como um dos mais comentados nas redes. A transmissão paralela atingiu cerca de 3 milhões de internautas e mostrou para as forças golpistas que não será tão fácil esconder a candidatura de Lula do povo brasileiro.

Parece que voltamos a velha Lei Falcão, onde somente os representantes da ditadura compareciam na Televisão mentindo e tentando imbecilizar os ouvintes, enquanto o povo, os trabalhadores e trabalhadoras, junto de Lula e dos demais democratas, estavam nas ruas, nas greves, nos sindicatos, fazendo a resistência cívica para resgatar a democracia e o Brasil para os brasileiros(as).

Debate sem Lula é avião sem asa. É a cara do golpe. Uma democracia capenga. Somente a velha política vomitando em nossos ouvidos mentiras deslavadas para destruir o país, entregando as riquezas nacionais nas mãos daqueles que os financiam, o rentismo abutre que não gera empregos e favorece uma elite podre do Brasil, como diz Jessé Souza: a elite do atraso.

Essa elite brasileira do atraso lembra bezerro mal desmamado, e como já dizia Guimarães Rosa “para bezerro mal desmamado, cauda de vaca é maminha” (in “O Burrinho Pedres”).

Com a colaboração de **Bernardo Gomes , estudante de Gestão Pública, FAFICH/UFMG.

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